16 de outubro de 2016 Cultura , Passeio

Como ir de carro de Porto Velho a Cusco, no Peru

Destino: Peru é o destino da vez na América do Sul

Estrada do Pacífico passa pelos Andes

 

A viagem de carro ao Peru nasceu do incentivo de amigos que fizeram a aventura e recomendaram, especialmente pelo fator da estrada - do lado peruano - estar em ótimas condições, já que foi construída há relativamente pouco tempo e receber manutenção regularmente. Há cobrança de pedágio, mas você vê o dinheiro sendo aplicado no conserto da via, sinalização e serviço de telefonia para emergência a cada 10 quilômetros.

Bem antes de embarcar fizemos pesquisas na internet buscando informações de outras pessoas que fizeram o mesmo trajeto para pegar mais detalhes, especialmente coisas práticas, como fazer o câmbio, segurança, documentos pessoais e do veículo. Seguimos algumas coisas importantes: levamos água mineral, pois conhecidos nossos sofreram problemas estomacais por terem estranhado a água mineral peruana, que contêm alguns sais minerais que não são encontrados do lado de cá. Quanto à comida, não tivemos problemas. Levamos frutas e biscoitos para comer na estrada - há muitos trechos sem paradas.

 

Nem na metade do caminho

 

Vamos ao que interessa. O nosso primeiro destino no Peru era Cusco, depois Ollantaytambo e Chucuito (Puno). No retorno faríamos um caminho ligeiramente diferente, vindo pela estrada que não passa em Cusco. Nos programamos para chegar a Cusco no terceiro dia. Saímos de Porto Velho para Rio Branco (AC), com parada para almoço e reabastecimento em Extrema, distrito de Porto Velho. Chegamos cedo e ficamos no hotel para sair no dia seguinte cedo. Café da manhã em Senador Guiomar, já na estrada do Pacífico. Em Assis Brasil fomos direto para o posto da Polícia Federal. Tivemos azar, um ônibus vindo de São Paulo chegou primeiro que nós. O procedimento é rápido. Você preenche um formulário e entrega ao agente com o seu documento. Atenção: só vale passaporte ou RG. A CNH não é reconhecida pelo acordo do Mercosul.

 

Você percebe que está mesmo no Peru quando surgem as alpacas e as llamas

Almoçamos e seguimos para o lado peruano, em Iñapari. Na "Imigración", se preenche outro formulário, que deve ser guardado para apresentar nos hotéis e devolver na saída. Para o desembaraço do carro, é preciso ir a outro departamento, o SUNAT, do outro lado da rua, com os documentos do carro e do proprietário do veículo que, obrigatoriamente, deve estar presente. Eu levei cópias dos documentos para ganhar tempo, mas outro azar: antes de nós chegou outro ônibus, este vindo de Lima. Todos os passageiros devem desembarcar e apresentar documentos e abrir a bagagem. O processo é demorado. Ficamos quase duas horas neste procedimento.

Ao mesmo tempo é possível você fazer o câmbio de Reais para Soles. Tínhamos a indicação de uma senhora que tem um estabelecimento "especializado", a Tuka, uma brasileira casada com peruano. A filha dela trocou o dinheiro para nós em um câmbio para lá de suspeito: "um por um" (Mais tarde, em Cusco, outro cambista nos pergunto o que havia acontecido com o Real, que perdeu valor. Respondemos que é uma longa história). No mesmo local fizemos um seguro para terceiros, SOAT, equivalente ao DPVAT. Ao longo da viagem fomos parados pela polícia Nacional Peruana duas vezes, uma pediram o SUNAT, na outra o seguro. Ou seja é conveniente deixar estes documentos à mão. Outro detalhe que aprendemos. Abasteça com a gasolina "G84", cuja octanagem é a mais parecida com a nossa. Lá usam o sistema métrico americano, vendem por galões e não por litro, mas a conversão é fácil, um galão é igual (±) quatro litros (3,78541 litros).

A estrada entre Iñapari e Puerto Maldonado é boa, mas perigosa, pois atravessa vários lugarejos, onde o trânsito de motocicletas e triciclos é caótico. Na vila Copacabana, na feira existente dos dois lados da estrada a travessia é feita com dificuldade. Chegamos a Puerto Maldonado no início da noite, em meio ao horário de pico. Descobrimos então que o GPS do nosso carro só funcionava no Brasil e para encontrar o hotel tivemos que usar o velho e eficiente método de parar e perguntar. Tivemos sorte. Parei em um loja mista de lan house e xerox, em que o homem a quem perguntei pegou o voucher do hotel, ligou para lá e nos explicou como chegar.

No dia seguinte saímos cedo. Começamos a subir a serra de Santa Rosa e então sentimos o drama do por vir: Os motoristas fazem as curvas na contra-mão. Foram sucessivos sustos. Já no altiplano, apesar da beleza da paisagem, não se pode distrair. Pelas 13 horas paramos em um "restaurante" que oferecia "trutcha frita". Paramos e sentimos, pela primeira vez os sintomas do soroche - o mal das alturas. Saímos do carro 'bebinhos'. Almoçamos e continuamos a estrada. Chegamos em Cusco ainda com o dia claro, mas foi difícil encontrar o hotel, que estava localizado em uma rua estreita, que apesar de ser mão dupla, só tem uma entrada. Rodei em volta da quadra até um motorista de taxi informar como eu devia fazer.

Seguindo em frente

No caminho para Puno

Antes de sair para Ollantaytambo, estudei o roteiro do Google Maps e decorei a rota. Mas havia obras na saída e o trânsito foi desviado. Quase me perdi, mas por sorte estava na direção certa e outro motorista ensinou-me a saída. Almoçamos e reabastecemos em Urubamba, seguindo, sem problemas até nosso destino.

De Ollantaytambo para Puno, voltamos a Cusco para trocar mais dinheiro. Ao contrário do que muita gente informou nos vídeos que assistimos no YouTube, é possível, sim, fazer câmbio de Reais por Soles em Cusco e com a cotação melhor que na fronteira em casas de câmbio perto da Plaza de Armas. Saímos novamente para a estrada.

O nosso hotel ficava em uma cidade colada em Puno, a pequena Chucuito. Segundo o mapa do Google, bastava ficar na rodovia em que nós estávamos, atravessar a cidade e continuaríamos na mesma "carretera", que passava ao lado do hotel. Esqueceram de combinar com o trânsito de Puno. Caímos no centro e nos perdemos... Mais dois pedidos de informação e chegamos ao hotel, cansados e famintos. O restaurante já estava fechado e "ganhamos de brinde" sanduíches e chá. Deu para aguentar até o "desayuno".

Voltando para casa

Pegamos a mesma estrada da ida. Consegui sair de Puno sem me perder e fomos até a localidade de Lampa, onde pegamos a estrada 34B - Interoceânica, rumo a Puerto Maldonado. Paramos em Marangoni para almoçar e fomos dormir em Mazuko. No dia seguinte passamos por Maldonado e seguimos para a fronteira. Em Iñapari, as formalidades para o retorno ao Brasil foram rápidas. Passamos pelo posto da Polícia Nacional para carimbar o formulário de entrada. Já me senti no Brasil. O policial de serviço, nem olhou para os nossos rostos e documentos. Pegou os papéis e lascou o carimbo. Na Imigración a mesma coisa. Quando retornamos, o nosso carro já estava liberado, sem qualquer vistoria.

Em Assis Brasil, demos baixa nos passaportes e só então perguntaram se estávamos de carro próprio. Informamos a placa e fomos liberados. Daí foi um pulo até Rio Branco e depois, Porto Velho.


Autor: José Carlos Sá, Teu Norte
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